quarta-feira, 24 de julho de 2013

Umbral - Morganalia

Portas fechadas, rua sem saída
Caminho solitária numa cidade abandonada
Fecho meus olhos e imagino o dia
Porque neste meu sonho viajo na madrugada.
As luzes dos postes estão desfocadas
Garganta dói num grito sufocado
Queria um conhecido, um amigo, uma alma
Que me ajudasse nesta triste caminhada.
Quem arquitetou estas construções tristes?
Quem construiu esta arquitetura mal acabada?
Tudo cinza, tudo silêncio, tudo esquecido, nesta madrugada mal humorada.
Olho para minhas mãos e não vejo nada,
Tento tropeçar, mas não há calçada,
Acordar deste pesadelo é minha única saída,
Mas adivinha? Esforço vão, não dá em nada.
Penso nos dias felizes, na cama quente, no marido, nos filhos
Nos campos floridos, dias amarelo- ensolarados,
Mas nada me tira disso,
Continuo neste silêncio deletério.
Ratos nos cantos, urubus no céu,
Cobras silvando e uma mulher de véu...uma mulher de véu?
Aproximo-me: "Senhora, onde estou?"
"Estas no vácuo, no pó, na centelha, no grão, no chão,
no nada, no ego, na célula, no byte, na terra."
"E quem sou eu?"
"Volteis à rima do começo:
Não estais a sonhar, ou dormindo - acordada
Numa noite insone ou agitada
Estais descarnada
Condenada a vagar como uma alma desgraçada."

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