- Quem?
- A condessa Anna da Rússia, esposa do conde Ludwig!
- A esposa do conde? – repetiu o marido
- Sim. – Diana deu uma pausa - Segundo este texto, a mulher do
conde, ao morrer traída pelo marido, não conseguiu partir para o descanso
eterno e ficou a vagar pelo mundo material em busca de vingança. E ela leva a
alma dos vivos para confortar sua alma destruída pela traição.
- E como podemos fazer para nos livrar dela?
Diana deu de ombros. Não sabia a resposta.
- O texto nada fala a cerca. – pausou por alguns segundos – Eles
enxergam muito essa lenda com ceticismo!
Michael ficou em silêncio. Sentiu sua pele da bochecha
enrubescer.
Repentinamente, para surpresa geral, a luz da lanterna e o
notebook apagam, simultaneamente. Desesperados por se encontrarem no escuro
absoluto, Diana e Michael começam a gritar e andar às cegas.
- Onde você está, meu amor? – gritou Michael
- Aqui! – gritou Diana
Michael ajoelhou-se e foi engatinhando pelo local.
- Eu vou procurar a lanterna! Tente me encontrar! – disse
Michael
Diana continuou andando às cegas. Andava em círculo,
imaginando-se andar em linha reta. Repentinamente, surpreendendo o casal, eis
que surge um pequeno som oriundo do corredor. Era fraco e agudo, e dizia, com
clareza: "Adolph". Diana e Michael começaram a entrar em desespero.
Michael começou a tatear com maior velocidade pelo chão, enquanto sua esposa
andava mais aceleradamente. O desespero é aumentado quando a porta do quarto é
forçada. Uma, duas, três vezes... Na terceira, para desagrado geral, a porta é
levada ao chão. Diana começa a gritar enquanto corria, ainda às cegas, longe de
seu marido, enquanto o mesmo acelera em sua busca.
Michael acha algo, jogado no chão. Tateia-o. Tinha um formato
cilíndrico e era pequeno. Achei, pensou. Ficou momentaneamente feliz, todavia,
a situação lhe exigia estar tão somente desesperado, e não possuir outros
sentimentos. Procurou o botão para fazer o aparelho acender. Contudo, para sua
surpresa, eis que surge um grito de pavor oriundo do interior do recinto. A voz
era de sua esposa. Procurou com mais afinco o botão, e o apertou. Estava
suando, e sua mão escorregou pelo local. O primeiro grito se estendia
ininterruptamente. Ouve-se um baque de algo indo ao chão e, em seguida, sendo
arrastado pelo mesmo local. Aqueles acontecimentos faziam Michael entrar no
auge do desespero, forçando-o a tentar ligar a lanterna o mais rápido possível.
Tentou apertar o botão pela segunda vez. Conseguiu. Uma fraca e tênue luz
apareceu da ponta da lanterna, iluminando tenebrosamente o ambiente. Naquele
instante, conseguiu ver as pernas de sua mulher no interior do recinto, na
porta, sendo arrastada para o corredor. Correu em sua direção. Contudo, antes
de conseguir chegar perto de sua esposa, ela foi completamente arrastada para o
interior do corredor e a porta fechou em um baque. Michael tentou abri-la, mas
parecia trancada. Os gritos incessantes de sua mulher ecoavam pelo corredor.
Seu marido afastou-se da porta, correu em sua direção, se jogou contra ela,
levando-a ao chão. Naquele instante, os gritos cessaram. Ainda no chão, Michael
apontou a lanterna em direção ao corredor. Vazio, completamente vazio.
Levantou-se em um só pulo e postou-se a caminhar pelo recinto, apontando a
lanterna em todas as direções e chamando sua esposa. Estava desesperado; ao
mesmo tempo, estava amedrontado. Da mesma forma que temia o pior à sua esposa,
temia o mesmo a si próprio.
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