quinta-feira, 18 de julho de 2013

A Pavorosa Mansão dos Ludwig- Rodrigo Cesar Picon de Carvalho (Parte 9)

- Quem?
- A condessa Anna da Rússia, esposa do conde Ludwig!
- A esposa do conde? – repetiu o marido
- Sim. – Diana deu uma pausa - Segundo este texto, a mulher do conde, ao morrer traída pelo marido, não conseguiu partir para o descanso eterno e ficou a vagar pelo mundo material em busca de vingança. E ela leva a alma dos vivos para confortar sua alma destruída pela traição.
- E como podemos fazer para nos livrar dela?
Diana deu de ombros. Não sabia a resposta.
- O texto nada fala a cerca. – pausou por alguns segundos – Eles enxergam muito essa lenda com ceticismo!
Michael ficou em silêncio. Sentiu sua pele da bochecha enrubescer.
Repentinamente, para surpresa geral, a luz da lanterna e o notebook apagam, simultaneamente. Desesperados por se encontrarem no escuro absoluto, Diana e Michael começam a gritar e andar às cegas.
- Onde você está, meu amor? – gritou Michael
- Aqui! – gritou Diana
Michael ajoelhou-se e foi engatinhando pelo local.
- Eu vou procurar a lanterna! Tente me encontrar! – disse Michael
Diana continuou andando às cegas. Andava em círculo, imaginando-se andar em linha reta. Repentinamente, surpreendendo o casal, eis que surge um pequeno som oriundo do corredor. Era fraco e agudo, e dizia, com clareza: "Adolph". Diana e Michael começaram a entrar em desespero. Michael começou a tatear com maior velocidade pelo chão, enquanto sua esposa andava mais aceleradamente. O desespero é aumentado quando a porta do quarto é forçada. Uma, duas, três vezes... Na terceira, para desagrado geral, a porta é levada ao chão. Diana começa a gritar enquanto corria, ainda às cegas, longe de seu marido, enquanto o mesmo acelera em sua busca.

Michael acha algo, jogado no chão. Tateia-o. Tinha um formato cilíndrico e era pequeno. Achei, pensou. Ficou momentaneamente feliz, todavia, a situação lhe exigia estar tão somente desesperado, e não possuir outros sentimentos. Procurou o botão para fazer o aparelho acender. Contudo, para sua surpresa, eis que surge um grito de pavor oriundo do interior do recinto. A voz era de sua esposa. Procurou com mais afinco o botão, e o apertou. Estava suando, e sua mão escorregou pelo local. O primeiro grito se estendia ininterruptamente. Ouve-se um baque de algo indo ao chão e, em seguida, sendo arrastado pelo mesmo local. Aqueles acontecimentos faziam Michael entrar no auge do desespero, forçando-o a tentar ligar a lanterna o mais rápido possível. Tentou apertar o botão pela segunda vez. Conseguiu. Uma fraca e tênue luz apareceu da ponta da lanterna, iluminando tenebrosamente o ambiente. Naquele instante, conseguiu ver as pernas de sua mulher no interior do recinto, na porta, sendo arrastada para o corredor. Correu em sua direção. Contudo, antes de conseguir chegar perto de sua esposa, ela foi completamente arrastada para o interior do corredor e a porta fechou em um baque. Michael tentou abri-la, mas parecia trancada. Os gritos incessantes de sua mulher ecoavam pelo corredor. Seu marido afastou-se da porta, correu em sua direção, se jogou contra ela, levando-a ao chão. Naquele instante, os gritos cessaram. Ainda no chão, Michael apontou a lanterna em direção ao corredor. Vazio, completamente vazio. Levantou-se em um só pulo e postou-se a caminhar pelo recinto, apontando a lanterna em todas as direções e chamando sua esposa. Estava desesperado; ao mesmo tempo, estava amedrontado. Da mesma forma que temia o pior à sua esposa, temia o mesmo a si próprio.

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