quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Vale do Lobisomem-J.J de Souza(Parte 4)

      -Não é lindo – disse Silvia abraçando e depois beijando Marcelo – Acho que deveria tirar esse terno e colocar uma bermuda.
Como Marcelo poderia explicar para Silvia que estava armado, pois uma besteira que havia feito divulgando informações de campanha para um adversário colocou o governador em risco. Marcelo sabe que foi uma loucura, se fosse descoberto seria morto imediatamente, mas o risco significava a liberdade, o negativo com as fotos comprometedora estavam com ele na mala, tinha combinado a entrega com Arnaldo, homem forte de Hermes, candidato segundo colocado nas pesquisas para domingo à tarde, se tudo corresse bem receberia quatro milhões em uma maleta e levaria Silvia para Londres desaparecendo por completo do mundo político, até isso aconteceu teria que se manter atento, ficar o mais calmo possível e não deixar Silvia desconfiar de nada, afinal ela não aceitaria aquela negociação. Silvia era filha de militar, desenvolveu códigos internos  ética que nem existem mais, as pessoas não são assim, não como ela. Estavam casados há dez anos, conhecia a mulher se ela soubesse ficaria deprimida, daí em diante o dinheiro não serviria para nada.
A baboseira da ética e moral, Marcelo é que sabia onde o calo apertava, Silvia era professora, o dinheiro que ganhava nem dava para pagar a prestação do apartamento, tinha as melhores coisas, academia, comida, restaurantes, laser, roupas. Para ter tudo isso, precisava da merda  do dinheiro, nesse caso o dinheiro fala mais alto que a ética, ele sabia que Silvia viveria em condições ruins. Só que logo se tornaria uma mulher feia e gorda. No mundo de hoje,brutal, niilista,hedonista e onde a justiça era produto fugaz da moda, dinheiro significava segurança. Marcelo conhecia, o resultado da combinação ética, moral, consciência, pessoas com atributos desses, ou escolhe a religião, que é, para Marcelo, outra mentira, ou anda gorda chorando pelos cantos, como sua mãe.
-Você está no mundo da lua de novo ? – Ela estalou o dedo na frente dele – Essa é rebeca – A moça ruiva, magra e de silicone, camisa transparente, Marcelo achava que na falta de outra beleza em uma mulher, o silicone passa a ser o porto seguro das feias, peito e bunda comprados pagos, mesmo a prestação, uma plástica aqui e ali na face e proto, os homens passam a olhar você.
-Um prazer – a menina tinha um nariz grande demais para o rosto, tronco fino e o cabelo era encaracolado e curto, mulher feia no total, porém havia o silicone, a plástica e, ainda um sorriso impecavelmente branco.
-Estamos ai, vocês vão brincar de roda?De casinha? Ou o quê?
-Marcelo – disse Silvia – eles são alunos do quinto período, não comesse a implicar com eles.
O jantar foi servido às oito horas.
-O senhor é especialista em Berkeley?
-É o que dizem.
O nome do jovem que conversava com Marcelo era Fred.
O olhar de Silvia estava atento ao que aluno  fazia,sua pergunta capciosa e inteligente não pertencia ao grupo de estudante que trouxera, estava ali de penetra, pequeno, com aparência de nerd,baixo e calvo, era um aluno do segundo
ano de Filosofia.

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