quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Barulhos, passos e um fantasma na cozinha- Pedro Luna(Final)

     Os passos vinham dos fundos da cozinha, perto do fogão. Eu continuava parado na entrada do recinto e podia ouvi-los vindo em minha direção. Não havia ninguém ali, estava escuro (era noite), mas era claro que não havia ninguém ali. E então entendi que a hora havia chegado. A hora do encontro. O fantasma vinha em minha direção, mas eu não podia vê-lo, somente ouvi-lo. Não era mais senhor do meu corpo e me mantinha congelado, enquanto os passos chegavam mais perto. Passaram pela mesa de jantar e então chegaram até mim. Fechei os olhos e eles pararam. Não ousei abrir os olhos e prendi a respiração. A menos de um metro de mim, estava a porta do quarto de minha mãe. Pensei que poderia entrar lá se fosse rápido. Bastariam dois movimentos, girar a maçaneta e saltar quarto adentro. Mas quando comecei a sentir novamente minhas pernas, os passos recomeçaram. Eles passaram por mim e pude sentir o frio da morte, o frio do inexplicável, o frio do que já não possuía calor, pude sentir o coração apertar e então abri os olhos.
  Virei-me e pude ouvir os passos seguirem em frente. Por um momento, jurei ver as marcas das pegadas no piso ladrilhado. Mas era apenas a minha imaginação. Mas os passos não, aqueles passos eram reais. Eles continuavam sua caminhada, um após o outro, e eu sabia para onde eles estavam indo. Passaram pela sala e pela estante de livros, passaram pelo sofá e então entraram em meu quarto. O fantasma foi sutil o suficiente para fechar a porta.
  Fiquei ali parado alguns minutos, mas minutos que pareceram horas. Retomei a consciência e tomei a decisão mais sensata. Entrei no quarto de minha mãe, bati em seu ombro e quando ela acordou, consegui falar com o fiapo de voz que me restava:
  - Posso dormir aqui com você mãezinha?

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