quinta-feira, 25 de abril de 2013

A Pavorosa Mansão dos Ludwig - Rodrigo Cesar Picon de Carvalho(Parte 5)


O quadro era antigo. Sua moldura, destruída pela ação de cupins durante anos, caía aos pedaços. Estava completamente empoeirado. Parecia ser um retrato, de alguém do século XVIII. Representava uma mulher nobre da aristocracia prussiana. Abaixo do retrato, ainda no interior da velha moldura, estava escrito:
"Gräfin Anna Ludwig von Russland, Herrin Aller Dieser Länder" – algo como Condessa Anna Ludwig da Rússia, Senhora de Todas Essas Terras.
- Ludwig... – disse Diana, pensativa. – Onde será que eu já ouvi esse nome?
Diana caminhou em direção ao seu notebook e ligou-o. Assim que o aparelho terminou de ligar, abriu uma página da internet e procurou por "Condessa Ludwig". Diversas páginas apareceram, e a mulher abriu uma delas. Contava sobre a história do Conde Adolph Ludwig (1688/1729), senhor de todas as terras a oeste da cidade de Berlim durante o início do século XVIII, e que foi enforcado depois de assassinar brutalmente sua família – a esposa, Anna da Rússia, e seus quatro filhos. Diana ficou estupefata ao descobrir se encontrar no antigo castelo do Conde Ludwig; castelo este que, segundo lendas que permeiam desde o século XVIII e XIX, contadas de boca em boca por pais aos amedrontados filhos, era assombrado pela alma de Anna e de seus filhos, que procuravam por Ludwig, a fim de saciar sua sede de vingança. Diana temia essa lenda, contada por seu avô, que conheceu o Hotel Kakashoro e sabia dos estranhos acontecimentos que permeavam o desaparecimento de seu dono durante o final da Segunda Guerra Mundial, e agora se encontrava em seu cerne.
Foi tomada por um súbito calafrio, seguido de um incontrolável tremor. Repentinamente, para tão somente piorar sua situação, um imenso estrondo aconteceu logo atrás de Diana, no mesmo recinto. A parede que quebrara não aguentou ter uma parte sua destruída e acabou por sucumbir, indo ao chão. O barulho foi ampliado pelo eco causado pelos corredores múltiplos do local. Diana sobressaltou-se. Virou subitamente para trás, vendo o estrago causado pela queda da parede – uma cômoda e sua cama estavam sob a parede de tijolos.
Diana, que já se encontrava com medo, tremia de medo e segurava para não chorar. Queria correr, queria fugir daquele lugar. Talvez o que o funcionário da prefeitura falou não estava de todo errado.

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