O quadro era antigo. Sua moldura, destruída
pela ação de cupins durante anos, caía aos pedaços. Estava completamente
empoeirado. Parecia ser um retrato, de alguém do século XVIII. Representava uma
mulher nobre da aristocracia prussiana. Abaixo do retrato, ainda no interior da
velha moldura, estava escrito:
"Gräfin Anna Ludwig
von Russland, Herrin Aller Dieser Länder" – algo como Condessa Anna Ludwig
da Rússia, Senhora de Todas Essas Terras.
- Ludwig... – disse
Diana, pensativa. – Onde será que eu já ouvi esse nome?
Diana caminhou em
direção ao seu notebook e ligou-o. Assim que o aparelho terminou de ligar,
abriu uma página da internet e procurou por "Condessa Ludwig".
Diversas páginas apareceram, e a mulher abriu uma delas. Contava sobre a
história do Conde Adolph Ludwig (1688/1729), senhor de todas as terras a oeste
da cidade de Berlim durante o início do século XVIII, e que foi enforcado
depois de assassinar brutalmente sua família – a esposa, Anna da Rússia, e seus
quatro filhos. Diana ficou estupefata ao descobrir se encontrar no antigo
castelo do Conde Ludwig; castelo este que, segundo lendas que permeiam desde o
século XVIII e XIX, contadas de boca em boca por pais aos amedrontados filhos,
era assombrado pela alma de Anna e de seus filhos, que procuravam por Ludwig, a
fim de saciar sua sede de vingança. Diana temia essa lenda, contada por seu
avô, que conheceu o Hotel Kakashoro e sabia dos estranhos acontecimentos que
permeavam o desaparecimento de seu dono durante o final da Segunda Guerra
Mundial, e agora se encontrava em seu cerne.
Foi tomada por um súbito
calafrio, seguido de um incontrolável tremor. Repentinamente, para tão somente
piorar sua situação, um imenso estrondo aconteceu logo atrás de Diana, no mesmo
recinto. A parede que quebrara não aguentou ter uma parte sua destruída e
acabou por sucumbir, indo ao chão. O barulho foi ampliado pelo eco causado
pelos corredores múltiplos do local. Diana sobressaltou-se. Virou subitamente
para trás, vendo o estrago causado pela queda da parede – uma cômoda e sua cama
estavam sob a parede de tijolos.
Diana, que já se
encontrava com medo, tremia de medo e segurava para não chorar. Queria correr,
queria fugir daquele lugar. Talvez o que o funcionário da prefeitura falou não
estava de todo errado.
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